Solidão no relacionamento: por que você se sente só

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Mulher sentada sozinha em ambiente íntimo, representando solidão dentro do relacionamento.

Você já sentiu solidão no relacionamento? Não é aquela solidão de estar longe fisicamente da pessoa. É aquela sensação de estar do lado de alguém e ainda assim se sentir sozinha.

Essa é uma das formas mais dolorosas de solidão que existem. Porque você olha em volta e pensa: “mas eu estou numa relação, por que eu estou me sentindo assim?”

“A gente esfriou”

Quando alguém chega até mim com isso, a primeira coisa que costuma falar é: “Lorena, eu acho que a gente esfriou.”

Só que quando a gente vai conversar um pouco mais para entender de verdade, o que aparece quase sempre não é um problema exclusivo do casal. Muitas vezes é uma pessoa que foi se perdendo de si mesma sem perceber.

A pessoa tá lá no relacionamento e começa a se sentir sozinha. Não é que aconteceu uma grande coisa. A outra pessoa está lá, você está lá, só que alguma coisa foi sumindo.

O esfriamento nem sempre começa no casal

Às vezes, a distância aparece entre duas pessoas. Mas, antes disso, ela já vinha aparecendo dentro de uma delas. Você vai deixando de dizer o que sente, vai ficando mais funcional do que presente, vai se adaptando tanto que quase não percebe o quanto se afastou de si.

Isso não quer dizer que a relação não importa. Quer dizer que a solidão no relacionamento pode ter mais de uma camada: a dinâmica do casal, a rotina, a forma como vocês conversam e também o quanto você ainda consegue se escutar no meio de tudo.

As pequenas ausências que ninguém percebe

Quando foi a última vez que você teve uma conversa de verdade com a pessoa que ama? Não aquela conversa sobre conta, sobre os filhos, sobre as coisas que vocês precisam fazer amanhã. Aquela conversa onde vocês conseguiram falar de vocês.

A gente vai entrando numa rotina e vai achando que está tudo bem. Acorda, trabalha, resolve tudo, e o outro está lá do outro lado fazendo a mesma coisa. Só que em algum momento, nesse lugar confortável que foi sendo construído entre vocês, a gente para de se encontrar de verdade.

Nem sempre se perde algo muito grande. Na maior parte das vezes, é muito mais sobre algo que vai crescendo ali naquele silêncio.

O jantar que virou uma tela. O final de semana que virou só tarefa. E até aquele “e aí, como você está?” que virou protocolo. A gente responde “tô bem” de um jeito automático e daí ninguém mais pergunta.

Na maior parte das vezes, a pessoa nem sabe apontar o momento exato em que as coisas mudaram. Ela só sabe que um dia acordou e percebeu que estava distante do outro, da relação e de si mesma.

Um mapa das pequenas ausências
  • Na conversa: vocês falam do que precisa ser feito, mas quase não falam do que sentem.
  • No corpo: você está perto, mas percebe tensão, cansaço ou vontade de se recolher.
  • Na rotina: tudo funciona, mas quase nada parece encontro.
  • Em você: seus desejos vão ficando para depois, até ficarem difíceis de reconhecer.

A pergunta que muda tudo

Quando alguém me traz esse esfriamento, eu gosto de fazer uma pergunta.

Quando foi a última vez que você se sentiu conectada com você mesma? Não com o relacionamento, com você?

Quando foi a última vez que você fez algo só porque gostava? Que você teve um pensamento e não engoliu?

O que eu percebo é que a gente pode confundir algumas coisas. Olhamos pro relacionamento e vemos esse esfriamento pelo lado de fora. Só que esse esfriamento não começou lá. Foi algo que foi construído de dentro.

Pode ter sido quando você parou de se ouvir. Quando as suas vontades foram virando as últimas da lista. Quando você foi deixando de ser um pouco de você para dar conta de tudo ao redor.

E aí a pergunta muda. Deixa de ser “o que aconteceu com a gente?” e vira “o que aconteceu comigo?”

Se, junto dessa solidão, aparece muito medo de perder a pessoa ou necessidade de confirmação, talvez faça sentido ler também sobre apego ansioso e dependência emocional no relacionamento.

Por que a gente chega até aqui sem perceber

Nem sempre é falta de amor próprio. Quando a gente vai construindo uma vida junto, nessa construção, a nossa individualidade vai ficando um pouco de lado.

Começa pequeno. Você abre mão de uma coisa aqui, engole um incômodo ali, vai deixando de fazer as coisas que gostava porque elas não encaixam mais na rotina. Vai priorizando o que é urgente e empurrando o que é seu para depois.

E tem os silêncios. Aquilo que te incomoda, mas você não fala porque não quer criar um problema, porque acha que vai passar, porque não sabe como colocar em palavras. Só que essas coisas que não são ditas não vão sumir. Elas ficam. E vão ocupando cada vez mais espaço dentro de você.

A gente vai ficando bem pequenininha dentro da própria vida, não de um jeito escancarado. Pode ser um cansaço que você não consegue explicar muito bem. Uma irritação que aparece do nada. Ou aquela sensação de que está faltando alguma coisa, mas você não consegue dizer exatamente o que é.

Escuto isso com muita frequência. A pessoa chega achando que o problema é exclusivamente do relacionamento. E aí, conforme a gente vai conversando, ela percebe que faz tempo que não sabe nem o que quer, do que gosta, quem é, fora de tudo que precisa dar conta.

Quando o silêncio vira um jeito de evitar conflito

Em alguns momentos, ficar quieta parece proteger a relação. Você evita uma conversa difícil, engole uma frustração, tenta não “pesar” o clima. Só que, se isso se repete muitas vezes, o silêncio deixa de proteger e começa a separar.

É assim que a solidão no relacionamento pode crescer sem uma crise grande. Não porque falta sentimento, necessariamente, mas porque falta espaço para existir com mais verdade ali dentro.

O que muda quando você se reconecta com você

Quando a pessoa entende que o esfriamento do relacionamento pode ter ligação com a forma como ela se relaciona com ela mesma, a primeira reação costuma ser: “então a culpa é minha?”

Não é sobre culpa. É sobre perceber que você, enquanto individualidade, também afeta esse organismo que é o relacionamento.

E o caminho para entender de onde vem o esfriamento pode partir de você também. Porque quando você vai se reconectando com suas necessidades, com quem você é, algo dentro dessa percepção do relacionamento vai mudando. Você para de esperar que o outro adivinhe. Você começa a conseguir dizer o que quer. E o que não era dito começa a ter chance de virar um encontro.

Por onde começar

A gente não está falando de uma grande transformação. A ideia é só começar a conseguir enxergar um caminho.

Volte para perguntas pequenas

Algumas perguntas que ajudam:

  • O que eu sinto que estou engolindo há muito tempo?
  • O que eu deixei de fazer que era meu?
  • Quando foi a última vez que eu me senti eu mesma?

Você não precisa ter uma resposta pronta para isso. Esse ato de se questionar já é mais para abrir portas e possibilidades.

Dê nome antes de tomar uma decisão

Nem toda solidão no relacionamento significa que a relação acabou. Também não significa que você deve ignorar o que sente. Antes de decidir qualquer coisa no impulso, pode ser mais cuidadoso tentar nomear o que está acontecendo: é falta de conversa, falta de presença, medo de pedir, cansaço, anulação, rotina, ressentimento?

Quando a experiência ganha nome, ela deixa de ser só um vazio difícil de explicar.

E em algum momento, fazer isso sozinha pode cansar. A gente está tão acostumada a olhar para o outro, para a relação, para tudo ao redor, que olhar para si mesma sem direção pode parecer confuso. O processo terapêutico pode ser esse espaço. Um lugar só seu, onde você não precisa filtrar pelo outro, não precisa proteger ninguém, não precisa dar conta de nada além de você mesma.

Esse movimento de reconexão pode te trazer de volta para a relação de uma forma diferente.

Se quiser entender como funciona esse espaço, você pode ver como é a terapia online comigo, ler sobre como é a primeira sessão de terapia ou falar comigo, sem compromisso, no seu tempo.

Perguntas frequentes

É possível me sentir sozinha estando em um relacionamento?

Sim. Essa é uma das formas mais dolorosas de solidão que existem. Você está ao lado de alguém e ainda assim sente um vazio. Isso não significa que o relacionamento acabou. Na maioria das vezes, tem algo mais profundo acontecendo.

Sentir solidão no relacionamento é culpa minha?

Não é sobre culpa. É sobre perceber que você, enquanto individualidade, também afeta o relacionamento. Muitas vezes o esfriamento começa quando a gente vai se perdendo de si mesmo sem perceber.

Como saber se o problema é o relacionamento ou algo em mim?

Uma pergunta que ajuda muito é: quando foi a última vez que eu me senti conectada comigo mesma? Não com o relacionamento, mas com você. Às vezes o esfriamento do casal começa muito antes, lá dentro.

O que fazer quando sinto que a gente esfriou?

Antes de olhar só pro casal, vale se perguntar: o que eu estou engolindo há muito tempo? O que eu deixei de fazer que era meu? Quando foi a última vez que eu me senti eu mesma? Esse movimento de se questionar já abre algo.

A terapia de casal resolve a solidão no relacionamento?

Pode ajudar muito. Mas dependendo do que está acontecendo, a terapia individual pode ser um primeiro passo importante. É um espaço só seu, onde você não precisa filtrar pelo outro, e pode entender o que está acontecendo dentro de você.

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Um primeiro passo simples

Comece no seu tempo.

Se algo aqui fez sentido, você pode mandar uma mensagem e entender com calma se a terapia é um bom caminho para este momento.

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