Primeira sessão de terapia: como funciona e o que esperar

Você já abriu a página de um psicólogo, ficou olhando para o botão de agendamento e fechou a aba? Aquela vontade de dar o passo, misturada com o medo de não saber o que vai encontrar do outro lado.
Se isso já aconteceu com você, este texto é pra você. Aqui eu explico, na prática, como funciona a primeira sessão de terapia comigo, do jeito que eu conduzo. Porque, quando você sabe o que vai encontrar, o primeiro passo fica bem menos assustador.
O medo de começar é normal
Sentir um frio na barriga antes de marcar a primeira sessão é normal, e não significa que você não está pronto.
A pessoa passa semanas pensando em começar. Pesquisa, salva o perfil, considera, e trava na hora de dar o passo. Vêm as perguntas: e se eu não souber o que dizer? E se eu chorar? E se eu não me sentir à vontade?
Em quase dez anos de profissão, eu percebi uma coisa. Quem chega até aqui já deu o passo mais difícil, que é reconhecer que quer mudar algo, ou que sozinho não está dando conta. Isso é coragem. O medo que você sente não é sinal de despreparo. É sinal de que você está levando isso a sério.
Isso não significa que você precise vencer o medo antes de começar. Em alguns casos, a primeira conversa já é justamente o lugar onde esse medo pode aparecer sem pressa.
Você não precisa chegar com tudo pronto
Muita gente adia a terapia porque acha que precisa saber explicar tudo, escolher o assunto certo ou organizar a própria história antes de começar. Mas a primeira sessão não exige uma apresentação perfeita de você.
Você pode chegar com uma frase solta, uma sensação difícil de nomear ou até com silêncio. O trabalho começa justamente aí: criando um espaço onde aquilo que estava confuso possa aparecer com calma.
O que acontece na primeira sessão de terapia
O objetivo da primeira sessão não é te avaliar nem chegar a conclusões sobre você. É a gente se conhecer.
Você abre a videochamada, a gente se cumprimenta, e eu faço uma pergunta simples: o que te trouxe até aqui? Só isso. Sem uma lista de perguntas para responder certo, sem precisar chegar com tudo organizado na cabeça.
- Chegada: a gente se apresenta e cria um começo possível para a conversa.
- Escuta: você fala do que te trouxe, no seu ritmo, sem precisar acertar o jeito.
- Combinados: eu explico sigilo, frequência, formato online e como o processo funciona.
- Próximo passo: a gente entende se faz sentido continuar e por onde começar.
Você pode chegar sem saber nem por onde começar. Está tudo bem. Conforme você fala, eu te escuto e vou devolvendo o que estou entendendo, para a gente construir junto uma compreensão do que você traz. Às vezes eu pergunto onde você sente aquilo, quando foi a primeira vez que apareceu, como é para você quando acontece. Não são perguntas com resposta certa. São perguntas que ajudam você a se ouvir melhor.
A primeira sessão é tanto sobre você me conhecer quanto sobre eu te conhecer.
Você não vai ser julgado
Não é o papel do psicólogo julgar o que você traz.
Talvez você se pergunte: o que ela vai pensar de mim? Será que o que eu sinto faz sentido? É grave demais, ou de menos? Vou ser direta com você. Não estou do outro lado esperando te colocar em alguma caixa. Estou ali com uma postura aberta, ouvindo de verdade.
As perguntas que eu faço não são para te testar. São para ampliar o que você mesmo está enxergando. Muitas vezes a gente carrega coisas que nunca teve espaço para colocar em palavras. E quando coloca, algo começa a mudar.
Se parte do que aparece é uma cabeça acelerada, culpa por parar ou dificuldade de descansar, talvez este outro texto também converse com você: por que sua mente não desliga.
Sigilo: o que você conta fica entre vocês
Tudo o que você compartilha na terapia é sigiloso.
O sigilo não é uma escolha minha. É um dever ético e legal previsto no Código de Ética da profissão. Então pode falar. O que você traz para a sessão fica na sessão. Existem exceções previstas em lei, e eu esclareço todas elas logo no começo do acompanhamento, para que nada fique no ar.
O contrato terapêutico: combinando como vai funcionar
Na primeira conversa, a gente também combina como o processo vai funcionar. É o que chamamos de contrato terapêutico.
O que a gente combina no início
Não é um documento assustador. É só a gente alinhando a frequência dos encontros, os valores, as formas de pagamento e os acordos dessa relação. A psicoterapia é colaborativa. Você não está entregando a sua vida nas minhas mãos. A gente constrói isso junto.
Você tem o direito de saber como funciona, tirar dúvidas e entender o que esperar. Por isso eu deixo esse espaço logo no primeiro encontro, sem pressa e sem nada em aberto que te deixe desconfortável.
Na prática: como é o atendimento online
O atendimento é 100% online, por videochamada, com sessões de 50 minutos.
A primeira sessão é um pouco mais longa, para a gente se conhecer com calma. O formato online permite fazer terapia de onde você estiver, com privacidade e sem deslocamento. É um espaço pensado para jovens e adultos que querem um lugar só seu, de escuta, acolhimento e cuidado.
Se quiser entender melhor o atendimento antes de marcar, eu explico cada etapa na página terapia online com Lorena Vieira. E se a sua dúvida passa por se sentir sozinho mesmo acompanhado, também vale ler sobre solidão no relacionamento.
Dar o primeiro passo no seu tempo
Você não precisa estar pronto para começar a terapia. Querer começar já basta. Se algo aqui ressoou com você, a primeira sessão pode ser o lugar onde você para de carregar tudo sozinho.
A primeira sessão também serve para sentir se faz sentido
Começar terapia não é assinar um compromisso às cegas. A primeira conversa também serve para você perceber como se sente naquele espaço, se a forma de escuta faz sentido e se existe segurança suficiente para continuar construindo.
Quando quiser, você pode conhecer um pouco da minha trajetória ou falar comigo, sem compromisso, no seu tempo.
Perguntas frequentes
Preciso levar algo preparado para a primeira sessão?
Não. Você pode chegar sem saber por onde começar. A conversa começa com uma pergunta simples, 'o que te trouxe até aqui', e vai se construindo no seu ritmo.
E se eu chorar ou travar no meio da sessão?
Está tudo bem. Não existe um jeito certo de estar na sessão. Chorar, se emocionar ou ficar em silêncio fazem parte, e nada disso vai ser julgado.
A primeira sessão já é terapia ou é só uma avaliação?
É um encontro para a gente se conhecer e começar a construir uma compreensão do que você traz. Não é uma avaliação em que você precisa passar.
Quanto tempo dura a primeira sessão?
As sessões têm 50 minutos, e a primeira é um pouco mais longa, para dar tempo de a gente se conhecer com calma e combinar como o processo vai funcionar.
O atendimento online funciona mesmo?
Sim. A sessão por videochamada mantém a mesma escuta e o mesmo cuidado do presencial, com a vantagem de você poder fazer de onde estiver, com privacidade.


